As primeiras doses da vacina Covid-19 100% nacional começarão a ser aplicadas nos braços dos brasileiros na primeira semana de fevereiro. A informação foi dada pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, na tarde da última quarta-feira (12). De acordo com ele, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já possui Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) suficiente para produzir mais de 20 milhões de doses da vacina 100% brasileira. O registro do insumo foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última sexta-feira (7).

“Este é um passo que o Brasil dá na autossuficiência das vacinas contra a Covid-19 e para também, quem sabe, passar a ser um exportador de vacina e um supridor desse insumo para toda a América Latina. Vimos no começo do ano passado o quão importante é investir no parque industrial de saúde no Brasil. Esse passo sinaliza a independência para a produção desse insumo, que se mostrou fundamental no enfrentamento à pandemia”, afirmou.

Até o momento, as mais de 120 milhões de doses da vacina Astrazeneca distribuídas e aplicadas durante a Campanha de Vacinação contra a Covid-19 foram produzidas na Fiocruz com IFA importado. A produção do IFA em solo brasileiro só foi possível porque em junho de 2021, Astrazeneca e Fiocruz assinaram um contrato para a transferência da tecnologia. Para aprovar o IFA 100% brasileiro, a Anvisa fez diversos estudos de comparabilidade, analisando se a vacina teria o mesmo desempenho que a desenvolvida no exterior.

“Em 2019, o Governo Federal adotou uma estratégia de diversificação de vacinas e de tecnologias. Uma delas foi a assinatura de um contrato entre Oxford e Fiocruz que resultou na transferência de tecnologia. Um investimento de R$ 1,9 bilhão para que a Fundação se preparasse para esse fim”, ressaltou o secretário-executivo, que comentou ainda a celeridade de todo o processo. “Algo que demora, em regra, 10 anos, levou apenas um ano para que pudéssemos transferir a tecnologia e começar a produzir a vacina 100% nacional”, contou Rodrigo Cruz.

Como resultado, os estudos comprovaram que o insumo mantém a mesma eficácia do produto importado. Desde maio de 2020, a Fiocruz vem produzindo diversos lotes testes que foram submetidos a análises da Anvisa, que já havia feito a Certificação de Boas Práticas de Fabricação do novo insumo, o que garante que a linha de produção cumpre com todos os requisitos necessários para a garantia da qualidade do IFA.

“A vacina com o nosso IFA passou por vários processos de controle de qualidade, quando na semana saiu a aprovação da agência reguladora e a liberação para a fase final de distribuição. O imunizante já está incorporado ao Sistema Único de Saúde e o brasileiro mostrou que tem uma cultura de se vacinar. Mais de 90% do público-alvo já tomou a primeira dose e mais de 80% tomou a segunda dose. Diante disso, a produção da vacina em solo brasileiro vai suprir essa demanda”, finalizou.

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